Hoje, nós daremos início ao último capítulo da carta, então abram suas bíblias em Efésios, capítulo 6. Vamos fazer a leitura dos versos 1 ao 9.
Vamos ler juntos, então, o que Paulo quer nos ensinar em Efésios 6:1-9:
- Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.
- “Honra teu pai e tua mãe”, este é o primeiro mandamento com promessa:
- “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”.
- Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.
- Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo.
- Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.
- Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens,
- porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre.
- Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas.
VAMOS ORAR
Meus irmãos, vocês já imaginaram viver uma vida dividida em dois mundos completamente separados?
Uma vida em que, ao entrar no trabalho, você se esquecesse completamente de quem você é fora dali — não soubesse se tem filhos, esposa, pais, hobbies, memórias. E, ao sair do trabalho, você também não soubesse o que faz lá dentro? Uma vida onde seu “eu profissional” não conhece sua família, e seu “eu pessoal” não sabe o que você faz no escritório.
Essa é a premissa do seriado Ruptura, da Apple TV. Nessa série, os personagens se submetem a uma cirurgia que separa suas memórias entre o trabalho e a vida fora dele. Parece ficção científica absurda? Sim. Mas talvez seja mais real do que imaginamos.
Porque muitos de nós vivemos de forma parecida — não com uma cirurgia, mas com uma mentalidade. Uma vida fragmentada onde o evangelho fica preso aos domingos ou às atividades da igreja, enquanto os demais dias da semana são vividos como se Cristo não tivesse nada a ver com eles.
No domingo, você canta “Jesus é Senhor de tudo”. Na segunda-feira, no trabalho, você trabalha como se Cristo não existisse — enrolando, fofocando, fazendo o mínimo possível. Na quinta à noite, em casa, você grita com seus filhos como se não tivesse nenhum Deus observando. No sábado, você explora seus funcionários porque sabe que eles dependem de você.
É uma vida onde a fé não entra nas minhas relações mais íntimas: na minha casa, na criação dos filhos, nas decisões profissionais, na forma como trato aqueles que estão “abaixo” de mim.
É sobre essa fragmentação que Paulo está tratando no texto de hoje.
E para facilitar nosso entendimento daquilo que Paulo quer nos ensinar, eu resolvi separar a mensagem naquilo que eu vou chamar de três verdades transformadoras.
PRIMEIRO: OS RELACIONAMENTOS DE ÉFESO ESTAVAM CORROMPIDOS.
Quando o apóstolo Paulo escreveu essas palavras à igreja de Éfeso, ele estava escrevendo para pessoas que viviam em uma sociedade caracterizada pelo regime denominado de “patria potestas”, ou o poder do pai.
O pai, a figura masculina da relação familiar, era o chefe absoluto da família enquanto estivesse vivo. Ele tinha autoridade legal, econômica e religiosa sobre todos os membros da família, incluindo esposas, filhos e escravos.
Nesse sentido, o pai tinha poder legal quase que ilimitado sobre seus filhos. Esse poder incluía controlar o casamento, a educação, a herança e até o direito de não reconhecer, deserdar ou vender o filho como escravo, e até mesmo matar um filho indesejado.
O filho, por sua vez, estava totalmente sujeito à autoridade paterna, sem autonomia para tomar decisões importantes sobre seu futuro: ele não escolhia com quem se casar, qual ofício seguir ou como administrar seus bens — tudo estava sob a decisão do pai.
Por isso, havia dois extremos: ou os filhos eram completamente subjugados, vivendo sob medo constante, sem voz, sem dignidade. Ou eram rebeldes e desobedientes, especialmente quando o pai perdia seu vigor e eles ganhavam independência financeira. Era comum filhos negligenciarem pais idosos, abandonando-os à própria sorte.
Ou seja, a relação de pais e filhos era bastante abusiva, marcada por uma autoridade paterna extrema, e construída mais sobre poder e controle do que sobre afeição e cuidado.
Mas não era apenas a relação parental que era abusiva. Havia também a escravidão.
Naquela sociedade, a escravidão era uma realidade cotidiana. Estima-se que uma a cada três pessoas das grandes cidades eram escravas. Diferente da escravidão moderna, na Roma antiga a escravidão não era marcada pelo racismo. Qualquer pessoa, de qualquer raça, cor ou origem, poderia ser escravizada. Era uma questão social e econômica, não racial.
Havia várias formas de se tornar um escravo: Guerras: os povos conquistados eram feitos escravos; Pena judicial: aplicada a algum criminoso ou devedor o tornava escravo. Nascimento: filhos de escravos nasciam escravos. Além disso, muitas pessoas se vendiam como escravos para pagar dívidas ou para sustentar a si mesmo ou sua família. Por isso, haviam escravos servindo em várias funções: desde serviços braças e domésticos até professores, administradores e médicos poderiam ser escravos.
Ainda assim, não havia liberdade, nem direitos. Os escravos eram propriedades, não cidadãos. Eram objetos, não pessoas. Eles eram ferramentas de trabalho. Por isso, os senhores eram os proprietários dos escravos. Eles tinham poder absoluto sobre eles.
Alguns Senhores eram relativamente benevolentes. Mas muitos eram cruéis, violentos, exploradores. Os escravos poderiam ser espancados, abusados, vendidos e separados de suas famílias. Alguns senhores matavam escravos por ofensas mínimas apenas para dar exemplo.
E os escravos? Como respondiam? A maioria não tinha escolha senão obedecer. Mas obedeciam com que atitude? Com ressentimento. Com ódio disfarçado. Trabalhavam apenas o suficiente para evitar punição. Roubavam sempre que podiam. Sabotavam o trabalho quando não estavam sendo vigiados. E sonhavam com o dia em que poderiam escapar ou se vingar.
Era um cenário de autoridade absoluta e desumanização: onde pais exerciam poder sem limites e senhores tratavam seres humanos como coisas. Esses relacionamentos eram caracterizados por abuso de poder, hipocrisia, rebeldia disfarçada e injustiça sistêmica.
É nesse contexto que a Palavra de Deus ressoa com uma força transformadora. O apóstolo Paulo, ao falar a pais, filhos, senhores e servos, não está simplesmente dando regras de etiqueta social.
Ele está proclamando o Evangelho que subverte a lógica da cultura e coloca Cristo como o verdadeiro Senhor sobre todas as relações humanas.
O grande objetivo de Paulo, nesse texto, é mostrar que:
CRISTO É O SENHOR DE TODOS, E CADA RELAÇÃO HUMANA, SEJA ENTRE PAIS E FILHOS OU SENHORES E SERVOS, DEVE REFLETIR A OBEDIÊNCIA E O TEMOR A ELE.
E Ele faz isso de maneira muito sábia.
Primeiro, ele fala com os grupos que, aos olhos daquela sociedade, eram os mais frágeis, depois, com aqueles que detinham mais autoridade. No casamento, ele falou primeiro às esposas e depois aos maridos. Aqui, ele fala primeiro aos filhos, depois aos pais; primeiro aos servos, depois aos senhores.
Essa ordem não é por acaso: ela mostra que todos, sem exceção, estão debaixo da mesma autoridade: a de Cristo. Independente de sua posição social, do seu sexo ou da sua idade.
Aos filhos, Paulo diz: “Obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.”
Reparem que Paulo não está reforçando a autoridade parental cega típica da época. Pois ele imediatamente se vira aos pais e diz: “Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
Ele faz o mesmo movimento com os servos, e prestem atenção, Paulo está falando com escravos, pessoas sem direitos, sem liberdade, e ele diz: “Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo.”
E imediatamente ele se vira para os senhores de escravos, acostumados a mandar e serem obedecidos, e diz: “Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e o de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas.”
Percebem o que Paulo está fazendo? Ele está pegando as estruturas sociais corrompidas do mundo romano e jogando uma granada teológica no meio delas.
O problema que Paulo está tratando não é apenas comportamental. É teológico.
O problema central de todos esses relacionamentos quebrados é que as pessoas vivem como se não houvesse um Senhor. Como se não houvesse ninguém observando além dos olhos humanos. Como se não houvesse prestação de contas além das estruturas de poder visíveis.
Filhos obedecem quando os pais estão olhando, mas riem e ridicularizam seus pais pelas costas. Pais exercem autoridade de forma destrutiva porque ninguém os está supervisionando. Servos trabalham apenas quando o senhor está por perto. Senhores abusam de seu poder porque acham que podem tudo.
Todos vivem a mesma mentira: “Ninguém está vendo. Ninguém se importa. Não há consequências”.
E é por isso que os relacionamentos humanos estão corrompidos. Não apenas no império romano do século I. Mas também aqui. Hoje. Em nossas casas. Em nossos locais de trabalho.
E isso nos leva à segunda verdade transformadora.
SEGUNDO: NOSSOS RELACIONAMENTOS CONTINUAM CORROMPIDOS
Talvez possamos olhar para o retrato da sociedade Romana e para a nossa sociedade atual e pensar… Graças a Deus tudo mudou.
Afinal, não vivemos mais sob o regime de patria potestas. No Brasil, por exemplo, o Código Civil e o Estatuto da Criança e do Adolescente concedem aos pais — homem e mulher, não apenas à figura masculina da família — o dever de cuidar dos filhos, mas não um poder absoluto sobre eles. Em nossa sociedade, pai e mãe têm a responsabilidade legal de prover sustento, educação, saúde, além de formação moral, espiritual e social aos filhos. No entanto, a autoridade dos pais está limitada e subordinada ao melhor interesse da criança e do adolescente. Ou seja, se os pais abusam dessa autoridade, o Estado pode intervir e, em casos graves, retirar-lhes o poder familiar.
Da mesma forma, a relação entre servos e senhores também mudou radicalmente. Hoje, felizmente, não vivemos mais sob um sistema escravagista. No Brasil, por exemplo, a Constituição Federal e a legislação trabalhista reconhecem a dignidade e a igualdade de todos os cidadãos, assegurando direitos e deveres tanto a empregadores quanto a trabalhadores. As relações de trabalho são regidas por leis, contratos e garantias, e não mais por domínio ou posse. O patrão não é dono do empregado, mas está sujeito à lei assim como ele. A autoridade, nesse contexto, não é de controle absoluto, mas de responsabilidade e respeito mútuo.
Apesar dessas mudanças, o mundo continua cheio de distorções nas relações humanas. As formas mudaram, mas o pecado continua o mesmo.
Continuamos a ver pais autoritários e abusivos, e também filhos desobedientes e rebeldes. Vemos tragédias que envolvem pais matando filhos e filhos matando pais todos os dias. No ambiente de trabalho, vemos empregados que trabalham de má vontade, enrolando, chegando tarde, saindo cedo, batendo o ponto e indo embora, como se não houvesse um Senhor sobre eles. E vemos também chefes arrogantes, exploradores, injustos e sem qualquer senso de responsabilidade ou dignidade pelo outro.
Irmãos, nossos relacionamentos continuam profundamente doentes. E o pior de tudo é que, muitas vezes, nós que nos chamamos cristãos não vivemos de forma muito diferente do mundo ao nosso redor.
Quantos de vocês, adolescentes ou jovens adultos que ainda vivem com seus pais, podem dizer honestamente que os respeitam e obedecem tanto na presença deles quanto longe deles?
Não estou falando de concordar com tudo que seus pais dizem. Não estou falando de nunca discordar. Estou falando de respeito genuíno. De honra verdadeira.
Porque precisamos ser honestos. O que frequentemente acontece é isto: Nós dizemos “sim, mãe”, “sim, pai”, enquanto por dentro estamos revirando os olhos (às vezes até por fora).
Obedecemos superficialmente apenas para evitar conflito, mas nas redes sociais, com os amigos, na escola, fazemos piada dos nossos pais. Ridicularizamos suas limitações. Desprezamos seus conselhos. Consideramos suas preocupações como intromissão irritante.
Sou capaz de apostar que existam jovens aqui hoje que durante a semana gritaram com seus pais, bateram a porta, disseram coisas horríveis para eles ou deles, e agora estão aqui, na igreja, cantando e adorando o amor que elas dizem ter por Deus, como se nada tivesse acontecido.
Isso é hipocrisia. E hipocrisia não é cristianismo. É pecado.
E antes que os pais comecem a dizer “Amém! Fala Jesus!”, deixem-me falar com vocês também.
Quantos de nós, pais, realmente criamos nossos filhos “na disciplina e instrução do Senhor”?
Sejam honestos, vocês gritam com seus filhos? Sim, eu sei que eles testam nossa paciência. Eu sei que é cansativo. Eu sei que às vezes parece que eles não estão ouvindo. Mas será que o volume da nossa voz está ensinando obediência ou apenas ensinando medo?
Vocês comparam seus filhos com irmãos, com primos, com os filhos “perfeitos” da igreja? “Por que você não pode ser como sua irmã?” “Porque você não participa das atividades da igreja, como o filho do Pastor faz?” Vocês acham que essas comparações estão criando seus filhos na instrução do Senhor ou estão plantando sementes de ressentimento e inadequação?
Vocês fazem promessas que não cumprem? “Se você tirar boas notas, eu compro aquilo para você.” E depois não compram. “No próximo fim de semana vamos passar tempo juntos.” E depois estão ocupados demais.
Vocês estão presentes fisicamente mas ausentes emocionalmente? Chegam em casa do trabalho e mergulham no celular, na televisão, no computador, enquanto seus filhos estão desesperados por atenção?
Paulo diz: “Pais, não irritem seus filhos.” Sabem o que significa “irritar” aqui? Significa provocar à ira. Significa frustrar. Significa desanimar. Significa quebrar o espírito de uma criança através de críticas constantes, expectativas irreais, palavras duras, ausência e muitas vezes pelo uso equivocado da disciplina física.
Talvez haja pais aqui que estão destruindo seus filhos enquanto pensam que estão “apenas educando”.
E isso não é cristianismo. É crueldade disfarçada de correção.
Agora vamos falar do ambiente de trabalho. Obviamente, como eu já disse, não vivemos mais em uma sociedade escravocrata. Mas os princípios que Paulo estabelece aqui se aplicam perfeitamente aos relacionamentos de trabalho modernos.
Então, deixem-me fazer algumas perguntas desconfortáveis.
Vocês que trabalham, me respondam: você trabalha com a mesma qualidade quando seu chefe está olhando e quando não está? Ou você aproveita cada oportunidade para “fazer corpo mole”? Vocês também usam aquele ditado: “Quando o gato não está os ratos fazem a festa”?
Você rouba tempo do seu empregador? Chegando atrasado, saindo mais cedo, esticando os intervalos, passando horas nas redes sociais enquanto deveria estar trabalhando?
Será que você faz “apenas o suficiente para não ser demitido”?
E mais: você fofoca sobre seu chefe? Reclama constantemente? Mina a autoridade dele com outros funcionários? Sabota projetos quando não concorda com ele?
Meus irmãos, eu sei que amanhã, algumas pessoas daqui vão para o trabalho e passarão oito horas fingindo trabalhar. Empurrando tarefas. Enrolando. Reclamando. Fazendo o mínimo absoluto possível. E depois virão para a igreja no domingo cantar sobre como servimos a Jesus.
Isso é viver uma mentira.
E finalmente, precisamos falar com aqueles que têm autoridade no ambiente de trabalho.
Vocês que são patrões, gerentes, supervisores, líderes de equipe: como vocês tratam aqueles que trabalham para vocês?
Vocês exploram seus funcionários? Pagando o menos possível, exigindo o máximo possível, tratando pessoas como recursos descartáveis?
Vocês fazem acepção de pessoas? Favorecendo aqueles que concordam com vocês, que não questionam, que “sabem seu lugar”? Enquanto tratam mal e desprezam aqueles que têm iniciativa, criatividade, ou que, Deus me livre, discordam de vocês?
Como você trata as pessoas que estão abaixo de você na hierarquia? Você as humilha publicamente? Grita? Usa sarcasmo destrutivo? Faz piadas às custas de seus subordinados para afirmar sua superioridade?
Vocês mentem para seus funcionários? Fazem promessas que não pretendem cumprir? Manipulam, intimidam, ameaçam, e colocam as metas acima da vida das pessoas?
Meus irmãos, não são poucas as pessoas que, durante a semana, humilham seus funcionários, seus subordinados, e que os exploram porque sabem que essas pessoas precisam do emprego e não tem para onde ir.
E depois, vem para a igreja e levantam as mãos em adoração como se tudo estivesse bem, achando que Deus vai olhar para elas de modo diferente só porque elas tem alguma autoridade aqui na terra.
Não se enganem. Isso também é pecado.
Percebem o padrão? É exatamente o mesmo padrão do império romano.
Vivemos como se não houvesse um Senhor. Como se ninguém estivesse vendo. Como se não houvesse consequências além das imediatas e visíveis.
Filhos fingem respeito mas desprezam por dentro. Pais destroem enquanto pensam que disciplinam. Funcionários enganam empregadores. Empregadores exploram e humilham.
E tudo isso acontece porque esquecemos – ou nunca realmente acreditamos – que há alguém observando. Que há alguém que se importa. Que há alguém a quem todos nós prestaremos contas.
E esse alguém tem um nome: Jesus Cristo, Senhor de todos.
E isso nos leva à terceira verdade transformadora.
TERCEIRO: CRISTO TRANSFORMA RELACIONAMENTOS CORROMPIDOS.
Vamos voltar ao nosso texto. E dessa vez, quero que vocês reparem em uma frase que aparece repetidamente. É fácil passar por ela sem perceber. Mas essa pequena frase muda absolutamente tudo.
Versículo 1: “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.”
Versículo 4: “Pais, não irritem seus filhos, antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
Versículo 5: “Obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo.”
Versículo 6: “Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.”
Versículo 7: “Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens.”
Versículo 8: “porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre.”
Versículo 9: “Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma, não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre pessoas.”
Vocês perceberam quantas vezes a frase “no senhor” ou “ao senhor” referindo-se a Jesus Cristo aparece nesse texto? Sete vezes!! Em nove versículos, sete vezes Jesus Cristo é mencionado como a razão pela qual tudo deve ser feito.
Isso não é acidente. Isso não é apenas estilo literário. Paulo está martelando um ponto teológico absolutamente fundamental:
CRISTO É O SENHOR DE TODOS, E CADA RELAÇÃO HUMANA, SEJA ENTRE PAIS E FILHOS OU SENHORES E SERVOS, DEVE REFLETIR A OBEDIÊNCIA E O TEMOR A ELE
Meus irmãos, quando Cristo é Senhor, tudo muda. Absolutamente tudo.
Deixa eu te mostrar como.
Vejam novamente o versículo 1: “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.”
O que isso significa?
Significa que a obediência dos filhos cristãos não é primariamente aos pais. É a Cristo. Os pais são a autoridade delegada, mas Cristo é a autoridade final. Isso transforma completamente a dinâmica da relação entre pais e filhos.
Quando você obedece apenas aos seus pais, sua obediência depende de como você se sente em relação a eles naquele dia. Se eles foram legais com você, você obedece. Se foram chatos, você não obedece. Sua obediência é condicionada ao humor deles e ao seu.
Mas quando você obedece “no Senhor”, você obedece porque reconhece que Cristo colocou seus pais em autoridade sobre você. Você não obedece porque seus pais são perfeitos, porque eles não são. Você não obedece porque concorda com tudo, porque você não vai concordar com tudo. Você obedece porque está obedecendo a Cristo através deles.
Mas eu devo obedecer em tudo? Sim! Colossenses 3:20 diz: “Filhos, obedeçam a seus pais EM TUDO, pois isso agrada ao Senhor”.
Mas isso não significa uma obediência cega. Os filhos devem obedecer seus pais em tudo o que estiver dentro dos limites da vontade de Deus.
Se um pai ou mãe ordena algo contrário à Palavra de Deus, o filho não deve obedecer, porque isso certamente não agradaria a Deus. E Deus está acima de qualquer autoridade humana (Atos 5:29). Portanto, esse “em tudo”, não inclui pecar para agradar os pais; abandonar a fé; tolera abusos; negar convicções cristãs. No demais, você deve obedecer seus pais.
Paulo ainda diz que isso é justo. A palavra usada aqui traz um sentido de retidão. Ou seja, obedecer aos pais é a coisa certa e reta a se fazer. É o padrão natural da criação estabelecido por Deus. Mesmo em sociedades não cristãs, a obediência dos filhos aos pais é algo esperado — faz parte da ordem moral básica que sustenta qualquer família e sociedade.
Mas Paulo vai além. Versículos 2 e 3: “Honra teu pai e tua mãe”, este é o primeiro mandamento com promessa: “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra.”
Essa é uma citação direta do quinto mandamento. Um dos Dez Mandamentos dados por Deus no Sinai. E reparem: é o primeiro mandamento que vem com uma promessa explícita. “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra.”
Sabe o que isso significa? Significa que Deus está tão comprometido com relacionamentos saudáveis entre pais e filhos que ele anexa bênção à obediência dos filhos.
Jovens, escutem isso com atenção: Quando vocês honram seus pais, mesmo quando é difícil, mesmo quando discordam, mesmo quando seus pais são imperfeitos, vocês estão se colocando debaixo da bênção de Deus. Deus promete que as coisas irão bem com você.
Mas reparem: não é uma promessa de vida fácil. Isso não significa que quem obedece nunca enfrentará dificuldades. Mas é uma promessa de vida abençoada. Há uma diferença. A obediência aos pais contribui para uma vida mais estável, mais sábia e mais segura, porque nasce de um coração que teme ao Senhor.
Além disso, embora essa promessa seja dirigida individualmente ao filho, quando os filhos obedecem aos pais, toda a sociedade é beneficiada. Afinal, famílias fortes e saudáveis são o alicerce de qualquer sociedade sadia.
Já a desobediência aos pais é um sinal claro da decadência moral da sociedade. Em Romanos 1:30, Paulo coloca a desobediência aos pais aparece na lista de pecados gravíssimos que marcam uma sociedade que abandonou a Deus. Além disso, Paulo diz em 2 Timóteo 3:2, que nos últimos dias os homens seriam “desobedientes aos pais”, e isso é apresentado como um dos sinais dos fins dos tempos.
Agora vamos para o versículo 4, e prestem muita atenção: “Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
Percebam que há duas ordens aqui. Uma negativa. Uma positiva.
A negativa é: “Não irritem seus filhos.” Já falamos sobre isso. Não provoquem à ira. Não exasperem. Não quebrem o espírito deles através de crítica destrutiva, comparações, palavras duras, expectativas impossíveis, disciplina inconsistente.
Mas reparem na segunda parte, a parte positiva: “Criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
O que isso significa? Significa que você não vai instruir seu filho segundo seu próprio temperamento. Nem segundo os padrões do mundo. Nem da forma como vocês foram criados. Mas segundo a instrução e o conselho do Senhor.
E como é a instrução e o conselho do Senhor? É graciosa. É paciente. É cheia de verdade e amor. É firme mas gentil. É consistente mas compassiva.
Pais, vocês querem saber como educar seus filhos? Olhem para como Deus educa você. Olhem para como Cristo trata você.
Jesus é paciente com seu crescimento lento? Então seja paciente com seus filhos. Jesus perdoa suas falhas repetidas? Então perdoe seus filhos. Jesus te disciplina em amor ou em raiva? Em amor! Então discipline seus filhos em amor. Jesus te ensina com palavras cheias de graça e verdade? Fale com seus filhos com graça e verdade.
Cristo não apenas ordena que você eduque bem seu filho. Ele te ensina como fazer isso pela forma como ele se relaciona com com você.
Agora vamos aos versículos 5 a 8.
“Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo. Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens, porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre.”
Vocês entenderam o que Paulo acabou de fazer? Ele acabou de santificar o trabalho comum. Ele acabou de transformar tarefas mundanas em adoração.
Paulo estava escrevendo para escravos. Pessoas fazendo trabalho forçado, não remunerado, frequentemente degradante. E ele diz: “Quando você trabalha, você não está trabalhando primariamente para seu senhor terreno. Você está trabalhando para Cristo.”
Isso muda tudo meus irmãos!
Quando você trabalha apenas para seu empregador, sua motivação depende de se ele está olhando, de se você gosta dele, de se você está sendo bem pago, de se está recebendo reconhecimento, se ele te valoriza.
Mas quando você trabalha “como para Cristo”, você trabalha com excelência mesmo quando ninguém está olhando. Porque Cristo está olhando. Você trabalha com integridade mesmo quando poderia enganar. Porque você não está tentando enganar seu chefe, você está servindo a Cristo.
Você trabalha de todo o coração, mesmo em tarefas que ninguém reconhece, porque você sabe que Cristo vê, Cristo se importa, e Cristo “recompensará cada um pelo bem que praticar.”
Irmãos, isso é absolutamente revolucionário. Paulo está dizendo que não existe trabalho secular para um cristão. Todo trabalho, quando feito para Cristo, é sagrado. Todo trabalho, quando feito como adoração, tem dignidade. Todo trabalho, quando feito com integridade, tem valor eterno.
Você pode estar limpando um banheiro, mas se está fazendo “como para o Senhor”, é adoração. Você pode estar preenchendo planilhas, atendendo telefone, embalando produtos, dirigindo um ônibus, um uber… se está fazendo tudo “como para o Senhor”, Cristo vê, Cristo valoriza, e Cristo recompensará.
Se por causa do pecado original, lá em Gênesis 3, o trabalho passou a ser cansativo e desgastante, em Cristo, esse fardo é transformado em adoração. Em Cristo, o trabalho é transformado de obrigação em vocação. Em Cristo, o trabalho é transformado de mediocridade em excelência.
Agora, chegamos ao versículo 9: “Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas.”
Tentem imaginar como isso deve ter soado chocante para os ouvintes do público original de Paulo.
Paulo está dizendo aos proprietários de escravos, geralmente ricos, poderosos, acostumados a serem obedecidos, que agora, em Cristo, eles devem tratar seus escravos “da mesma forma”. Da mesma forma como o quê? Da mesma forma que os escravos devem tratá-los! Com respeito. Com sinceridade. Com bondade.
E por quê? “o Senhor deles [dos escravo] e de vocês [dos senhores] está nos céus”.
Em outras palavras: Vocês podem ser senhores na terra. Mas têm um Senhor no céu. E esse Senhor não faz acepção de pessoas. Ele não favorece os poderosos. Ele não se impressiona com autoridade terrena. Ele julga com justiça perfeita.
Vocês que são empregadores, gerentes, supervisores, pessoas com algum tipo de autoridade sobre outras, lembrem-se: vocês mesmos também são servos. Vocês têm um Senhor. E esse Senhor vê como vocês tratam aqueles sob sua autoridade. E vocês prestarão contas a ele.
Isso deveria produzir tremor santo em todos nós que temos qualquer tipo de autoridade.
Vocês veem o que está acontecendo aqui? Paulo pegou as estruturas sociais hierárquicas do império romano, onde alguns tinham todo o poder e outros não tinham nenhum, e jogou um nivelador teológico radical no meio.
Cristo é Senhor de TODOS. Do filho e do pai. Do servo e do senhor. Do empregado e do empregador. E todos estão igualmente sujeitos a ele. Todos são igualmente responsáveis diante dele. E ele não faz acepção de pessoas.
Quando você entende isso, quando você realmente entende isso, essa verdade transforma completamente como você vive seus relacionamentos.
Você não pode mais maltratar pessoas que “estão abaixo” de você, porque elas também são servos de Cristo. Você não pode mais desprezar autoridades “acima” de você, porque Cristo as colocou ali. Você não pode mais viver de forma hipócrita, porque Cristo vê tudo. Você não pode mais servir com mediocridade, porque está servindo ao Senhor.
E sabem o que é mais bonito, pra mim, nesse texto? É que Paulo não está dando uma lista de regras. Ele não está dizendo: façam isso, façam aquilo. Ele está apontando para uma realidade transformadora. Uma realidade que se tornou possível através da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Como eu disse no início, o problema dos nossos relacionamentos não é apenas comportamental. É teológico. É espiritual. O problema é que somos pecadores egoístas tentando nos relacionar com outros pecadores egoístas. E nós simplesmente não temos em nós mesmos os recursos para amar de verdade, servir com integridade, liderar com graça, ou obedecer com alegria.
Mas em Cristo tudo isso muda. E por que muda? Por que Cristo é o exemplo perfeito de filho obediente, de pai amoroso, de servo fiel e de senhor bondoso.
Cristo é aquele que, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” – Filipenses 2:6-8.
O próprio Senhor do universo se tornou servo. O Rei dos reis lavou os pés de seus discípulos. O Criador de todas as coisas se submeteu à autoridade de autoridades humanas corrompidas. O Justo sofreu nas mãos dos injustos.
E quando ele morreu naquela cruz, ele estava fazendo mais do que apenas pagar pelo pecado. Ele estava demonstrando um novo modo de vida. Um modo de vida onde poder é usado para servir, não para dominar. Onde autoridade é exercida em amor, não em ameaças. Onde servimos com alegria, não com ressentimento.
E quando ressuscitou dos mortos, ele provou que esse modo de vida vence. O amor vence o ódio. O serviço vence o egoísmo. A humildade vence o orgulho. A obediência a Deus vence a rebelião.
E agora, através de seu Espírito Santo vivendo em nós, Cristo nos capacita a viver da mesma forma. Ele transforma nossos corações de pedra em corações de carne. Ele nos dá novos desejos, nova força, novo poder para viver relacionamentos redimidos.
Não por nossas próprias forças. Mas pelo poder de Cristo trabalhando em nós.
Essa é a boa notícia do evangelho!
A questão é: como viver isso na prática?
APLICAÇÕES
1) Se você é filho, adolescente, jovem adulto ainda vivendo sob a autoridade de seus pais:
Cristo está te chamando para uma obediência radical. Não uma obediência cega, como eu já disse, mas uma obediência “no Senhor”, que significa honrar seus pais porque você está honrando a Cristo através deles.
- Isso significa que quando sua mãe te pede para fazer algo, você não revira os olhos, não resmunga, não reclama. Você faz. E faz de boa vontade. Porque você está servindo a Cristo através dela.
- Significa que quando seu pai te corrige, você não responde com rispidez, não bate a porta, não guarda ressentimento. Você ouve. Você reflete. Você pede perdão quando errou. Porque você está respondendo a Cristo através dele.
- Significa que você não fala mal dos seus pais com seus amigos. Você não ridiculariza suas imperfeições. Você não faz piadas às custas deles nas redes sociais. Porque honrar “no Senhor” significa honrar tanto na presença quanto na ausência deles.
Como eu já disse antes: Isso não significa que você concorda com tudo que seus pais fazem ou dizem. Seus pais são pecadores como você. Eles cometem erros. E haverá momentos em que você precisará, respeitosamente, discordar ou até mesmo desobedecer, especialmente se eles estão te pedindo para fazer algo que contradiz a Palavra de Deus.
Mas mesmo nesses momentos, você pode discordar ou desobedecer com honra. Com respeito. Com amor.
Ilustração: Enquanto estudava esse texto, eu vi um relato de um pastor, que pastoreava um jovem na igreja, cujos pais não eram cristãos. Na verdade, eles se opõem ativamente à fé dele. O pastor conta que um dia os pais tentaram impedir o jovem de ir à igreja. Sabem como ele respondeu? Pai e mãe, eu amo muito vocês e quero respeitar vocês sempre. Mas esse tempo com Deus é importante pra mim. Eu estou buscando ser alguém melhor. Eu não vou desobedecer vocês por rebeldia, mas por fidelidade a Deus”. E continuou indo à igreja, porque sua obediência final é a Cristo, não aos pais. Mas ele continuou tratando seus pais com um respeito, gentileza, paciência que até mesmo eles reconheceram algo diferente. Ele passou a ajudar em casa sem reclamar. A falar com eles com honra. A orar por eles constantemente. Com o tempo, sua mãe procurou o pastor e disse: “Eu não entendo essa fé do meu filho. Mas eu vejo algo nele que não estava lá antes. E isso me faz querer entender.”
Portanto jovens: vocês querem que seus pais sejam atraídos a Cristo? Vivam Efésios 6:1-3 diante deles. Obedeçam “no Senhor”. Honrem de verdade. E deixem Cristo brilhar através de vocês.
2) Se você é Pai ou Mãe:
Cristo está te chamando para uma paternidade e maternidade radicalmente diferente do que você vê ao seu redor. Diferente de como você foi criado. Diferente dos padrões do mundo. Cristo está te chamando para criar seus filhos “na instrução e no conselho do Senhor”.
Isso significa, primeiramente, que vocês não devem irritar seus filhos.
- Parem de gritar com eles. Eu sei que é difícil, mas gritar só atrapalha.
- Parem de compará-los com os filhos dos outros. Cada criança é um presente único de Deus com dons, personalidades e chamados únicos. Quando você compara, você está dizendo ao seu filho: “Você não é suficientemente bom do jeito que é.” E isso quebra o espírito deles.
- Parem de disciplinar com raiva. A disciplina é necessária – sim! Mas deve vir de um coração que deseja o bem do filho, não de um coração que quer desabafar sua frustração. Se você está com muita raiva, espere. Acalme-se. Ore. E então discipline com amor firme.
- Parem de fazer promessas que não cumprem. Seus filhos precisam aprender que a palavra de um homem ou mulher de Deus vale alguma coisa. Se você diz que vai fazer algo, faça. Se você não tem certeza, não prometa.
- E parem de estar ausentes enquanto estão presentes. Larguem o celular. Desliguem a TV. Fechem o computador. Olhem nos olhos dos seus filhos. Conversem com eles. Brinquem com eles. Estejam realmente presentes.
E o mais importante. Isso significa que vocês devem criar “seus filhos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
“instrução ou disciplina” não é só castigo, é treino… é cultivar a mente… envolve formação prática, hábitos, limites — coisas que estruturam a vida da criança.
“conselho ou admoestação” envolve ensino, conversa, diálogo — é transmitir a verdade sobre quem Deus é.
- Primeiro: Ensinem a Palavra de Deus a seus filhos. Deuteronômio 6 diz: “Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.”
- Percebam que isso é papel dos pais. Não é só da igreja e, principalmente, não é só da mãe. Enquanto Paulo, no verso um, usou a palavra goneus, que significa progenitores, para falar que os filhos devem obedecer aos pais, nesse texto, ele usa a palavra pater, que significa a figura masculina, o pai. Isso mostra que embora a mãe seja a auxiliadora nesse processo, e deve ser mesmo, o Pai é o principal responsável por ensinar a seus filhos a Palavra de Deus. Você tem feito isso pai? Ou você joga a responsabilidade de criar seus filhos apenas no colo da mãe e da igreja, ou pior, do mundo?
Os pais são chamados a ser os primeiros discipuladores de seus filhos. O lar é o primeiro lugar de formação espiritual. Isso não significa apenas ler a Bíblia com eles antes de dormir. Significa saturar a vida familiar com a Palavra de Deus. Conversar sobre Deus no café da manhã. Aplicar princípios bíblicos quando surgem problemas. Orar juntos. Cantar juntos. Tornar Deus o centro da vida da família.
- Segundo: Sejam exemplos diante de seus filhos. Seus filhos aprenderão mais observando como você vive o evangelho do que ouvindo o que você diz. Eles veem como você trata seu cônjuge! Como você reage quando está estressado! Como você fala sobre pessoas que não estão presentes! Como você gasta seu dinheiro! Como você usa seu tempo! Filhos são excelentes observadores e exímios imitadores.
Isso não significa que vocês precisam ser perfeitos. Na verdade, é importante que seus filhos vejam suas imperfeições. Mas eles também precisam ver você se arrependendo quando erra. Pedindo perdão. Crescendo em graça. Dependendo de Cristo.
E isso significa que às vezes você precisará pedir perdão aos seus filhos. Isso não enfraquece sua autoridade. Isso a fortalece. Porque mostra que você também está debaixo da autoridade de um Senhor maior.
- Terceiro: Apontem sempre para Cristo. O objetivo da paternidade cristã não é criar filhos bem comportados e nem bons cidadãos. É criar discípulos de Jesus. Filhos que amam a Deus, que confiam em Cristo, que andam no Espírito.
Então, quando você disciplina, não diga apenas: “Isso foi errado.” Diga: “Isso foi errado porque ofende a Deus. Mas há boas notícias: Jesus morreu para perdoar esse pecado. E o Espírito Santo pode te ajudar a crescer.”
Quando você elogia, não diga apenas: “Você fez um bom trabalho.” Diga: “Deus te deu dons incríveis. Lembre-se sempre de usá-los para a glória dele.”
Sempre, sempre, sempre aponte para Cristo.
Isso não significa, meus irmãos, que seus filhos vão, de fato, ouvir você, crer e seguir a Cristo como vocês querem. Infelizmente muitos filhos são ensinados “na instrução e no conselho do senhor” e ainda assim se rebelem e se desviam. Não se culpem por isso. Por mais que nos esforcemos, nós não somos o Espírito Santo. Nós não temos acesso ao coração dos nossos filhos.
Mas não desistam deles… Continuem ensinando, falando, exortando, apontando para Jesus e, principalmente, continue orando e pedindo a Deus pela vida de seus filhos. Pois embora tenhamos acesso apenas a seus ouvidos dos nossos filhos, pela oração, temos acesso àquele que tem acesso ao coração dos nossos filhos.
Lembrem-se também que nunca é tarde demais para começar a criar seus filhos “na instrução e no conselho do senhor”. Você pode ter sido um péssimo pai até aqui, mas Cristo pode redimir esses erros passados.
3) Se você trabalha sob a autoridade de outras pessoas.
Cristo está te chamando para trabalhar de uma forma que vai parecer completamente estranha ao mundo ao seu redor. Ele está te chamando para trabalhar “como para o Senhor”.
- Significa que na segunda-feira de manhã, quando você chega ao trabalho, você não está apenas indo ganhar um salário. Você está indo adorar. Seu trabalho, seja qual for, é sua plataforma de louvor a Deus. Então você trabalha com excelência. Não apenas quando seu chefe está olhando. Não apenas quando você pode ser promovido. Não apenas quando o trabalho é interessante. Mas sempre. Porque você está trabalhando para Cristo.
- Significa que você é o funcionário mais confiável da empresa. Você chega no horário. Você não rouba tempo. Você não fica nas redes sociais quando deveria estar trabalhando. Você não sai mais cedo sempre que possível.
- Significa que você faz mais do que é exigido. Você toma iniciativa. Você resolve problemas sem esperar que alguém te diga para fazer. Você ajuda colegas. Você melhora processos.
- E significa que você trabalha com uma atitude positiva. Você não reclama constantemente. Você não fofoca. Você não mina a autoridade do seu chefe. Mesmo quando discorda, você discorda respeitosamente e depois faz seu melhor para implementar a decisão.
Ilustração: Eu já contei isso em meu PG uma vez. Eu era uma pessoa insatisfeita com meu trabalho. Vivia reclamando, reclamava do trabalho em si, reclamava do chefe, até que um dia eu li esse texto e Paulo aos Efésios. Sabe o que eu fiz? Coloquei esse versículo no papel de parede do meu computador. Assim, todos os dias, Jesus me lembrava: você está trabalhando pra mim! E isso mudou completamente minha forma de ver o meu trabalho.
E sabe o que é interessante? Quando você trabalha como “para o Senhor”, os seus colegas vão notar. Seu chefe vai notar. E eles vão perguntar: “Por que você é diferente?” E então você terá a oportunidade de apontar para Cristo.
4) Se você têm autoridade no ambiente de trabalho: Empregadores, gerentes, supervisores, líderes.
Cristo está te chamando para liderar de uma forma radicalmente contra-cultural. Uma liderança que reflete o próprio caráter de Cristo. Uma liderança servidora.
- Isso significa que você trata seus funcionários, subordinados, equipe – não como recursos a serem explorados, mas como pessoas feitas à imagem de Deus a serem valorizadas.
- Isso significa pagar salários justos. Não apenas o mínimo que você pode pagar e ainda manter as pessoas. Mas salários que permitam que as pessoas vivam com dignidade.
- Isso significa criar um ambiente de trabalho saudável. Onde as pessoas são tratadas com respeito. Onde erros são oportunidades de aprendizado. Onde as pessoas podem crescer e se desenvolver.
- Isso significa não fazer acepção de pessoas. Significa tratar todos como iguais.
Lembre-se: “Você tem um Senhor no céu”. E vai prestar contas a Ele pela forma como você trata aqueles sob sua autoridade.
PARA CONCLUIR:
O texto que vimos hoje nos lembra que:
CRISTO É O SENHOR DE TODOS, E CADA RELAÇÃO HUMANA, SEJA ENTRE PAIS E FILHOS OU SENHORES E SERVOS, DEVE REFLETIR A OBEDIÊNCIA E O TEMOR A ELE.
A pergunta é: Jesus é realmente o Senhor dos seus relacionamentos? Não apenas teoricamente. Não apenas teologicamente. Mas concretamente. Na forma como você vive.
Jesus é Senhor na forma como você trata seus pais? Na forma como você cria seus filhos? Na forma como você trabalha? Na forma como você lidera?
Talvez você tenha percebido que você é um filho rebelde e desobediente; ou um pai e uma mãe que ao invés de conduzir seus filhos no caminho do Senhor, só o irrita; ou um funcionário preguiçoso e reclamão; ou ainda um líder autoritário…
Jesus está te chamando para mudar. Ele não está apenas apontando seus fracassos, Ele está oferecendo transformação. Ele não está apenas dizendo “faça melhor”. Ele está dizendo “Faça pra mim”.
Então que possamos olhar para nossos relacionamentos, e nos lembrar das Palavras de Paulo em Colossenses 3:17: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai”.
Tudo. Cada relacionamento. Cada conversa. Cada tarefa. Cada momento de obediência. Cada ato de liderança. Cada dia de trabalho. Tudo em nome do Senhor Jesus.
Amém!


